A História do primeiro Odivelas – Odivelas (Nos bastidores do Pelotão) – Parte II

DSCN1427_2Às 6,25 horas, partia o grupo do Cruzeiro de Odivelas com destino a Odivelas de Ferreira do Alentejo.

Eram 6,30 mais coisa menos coisa, íamos iniciar a mítica subida da Calçada de Carriche, quando num ápice 2 ciclistas se deparavam com furos. As perspectivas eram assustadoras, de imediato, os carros de apoio concluíram ser necessário que a carrinha de transporte de bicicletas se posicionasse no final do pelotão junto com a carrinha de apoio. Na nossa carrinha entraram os 2 atletas e, com alguma dificuldade, também as 2 bicicletas. O espanto foi ainda maior quando eu, o Rui e a Rita verificámos que num espaço exíguo, onde já mal cabia uma agulha, estes 2 experientes ciclistas conseguiram reparar 2 furos enquanto chegámos ao Cais do Sodré.

Passavam 10 minutos das 7 horas da manhã, quando chegámos ao Cais do Sodré, já perante a primeira luz do dia. Pelo caminho, segundo se conta, uns “senhores” que passavam ficaram boquiabertos com “tanta bicicleta”, para desgosto dos ditos, todas (pelo menos até Alcácer) tinham selim.

Como seria de esperar, os olhares entre os transeuntes denotavam alguma estranheza e admiração pela quantidade de ciclistas que se preparavam para entrar no barco que fazia a ligação ao Montijo. Se não é normal as bicicletas viajarem de barco, que dizer de mais de 50 preparadas para atravessar o rio Tejo. Ao largo, um navio cruzeiro navega sobre o rio, de partida de Lisboa, só podia ser um sinal, o navio e os ciclistas cada um na sua dimensão, preparados para empreender uma longa viagem. O navio era sinónimo de longas rotas.

Aqui, como diria na altura o Carlos Pinto, nunca a expressão All Aboard fez tanto sentido. E, lá foram os nossos atletas, cruzando o rio para além Tejo, para alcançar o Alentejo.

Desde as 8 horas sensivelmente que esperávamos pelos atletas numa estação de serviço na saída do Montijo. Tempo para um café, para alinhar algumas tarefas e posicionamentos entre os carros de apoio, alguns comentários, ainda a admiração pela quantidade de gente que se juntou nesta empreitada.

Algum tempo depois passa o primeiro grupo com o Atabão a comandar. A caravana ainda demorou a passar toda, devido a um furo ocorrido na saída do barco e sinal também da diferença de andamento de alguns atletas, já aqui se via quem tinha ido e quem tinha faltado aos treinos, mas o espírito era chegar e não chegar em primeiro… eram 8,50 horas quando os últimos atletas passaram junto ao Fórum Montijo, tendo percorrido uma excelente ciclovia desde o cais de desembarque.

Estrada fora em direcção a Águas de Moura, local da primeira paragem, fomos andando ao longo do “deserto”, o cruzamento para Rio Frio à esquerda, algumas fábricas pelo caminho, mas sobretudo e a partir dessa zona muitos hectares de vinha, passada a zona das herdades de Rio Frio, Barroca de Alva, com o gado que pastava junto à estrada e às redes que circundavam as herdades, decerto também admirado com tamanha caravana, entrávamos agora na região do Poceirão, na qual são produzidos afamados vinhos, bela paisagem a que se nos apresentava para qualquer lado que olhássemos.

Talvez deslumbrados com a paisagem, dois atletas resolvem começar a acompanhar os carros de apoio, eram 9,35 horas e era o primeiro sinal de caimbras a registar. Era chegada a hora da enfermeira Rita intervir, até agora, apenas duas pequenas quedas sem gravidade tinham ensombrado o passeio. Alguns conselhos e toca a andar que os companheiros já vão distantes.

Faltavam 5 kms para o Poceirão, marcava o conta quilómetros do carro de apoio 62 kms (tínhamos ido do Cais do Sodré ao Montijo pela Ponte Vasco da Gama) quando temos a primeira vitima, os conselhos da enfermeira foram bons, mas não suficientes para resolver o problema, a solução seria o descanso, e por algum tempo o atleta foi forçado a viajar na carrinha de transporte de bicicletas.

Pouco depois, a dupla que se tinha deslumbrado com a paisagem junta-se de novo, agora na carrinha, era tempo de observar a paisagem com mais tranquilidade e sem esforço.

Faltava um minuto para as 10 horas da manhã quando antes de uma passagem de nível somos forçados a parar para passar um comboio de carga, estávamos agora no Poceirão, e aí ficámos durante alguns minutos. Oportunidade para os dois elementos que tinham suspendido o seu passeio voltarem à estrada. O apelo do asfalto era mais forte.

António Martins
Colinas Bike Tour

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